sábado, 27 de junho de 2009

A NORMAL


Ninguém consegue enxergar o que se passa dentro do nosso coração.

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Houve tempos em que a hipocrisia era normal

Houve tempo, em que teu egocentrismo era normal

Em outras eras, o egoísmo imperava e era normal

Em outros dias, a ganância popular era normal

Mas esse normal também pode acabar mal

Nessa vida monótona depressiva demais

E de tão normal você pode ficar anormal

Ninguém te entende, ninguém te ouve

Ninguém te vê pedindo ajuda

Ninguém compreende o que acontece dentro de ti

Por que eles não perguntam?

Por que não riem contigo?

Não acham onde está teu mal

Entre quarto paredes está você, anormal.



Onde ficaram as palavras e sentimentos de irmão

Não me julgue, não se prenda às pedras do teu coração

Só tente tirar o cisco do meu olho, depois de tirar o teu

Se não consegue ver o próprio erro, não aponte o meu



Essa riqueza exagerada já não me importa

Quando sair me entregue a chave e feche a porta

O que eles tem pode até não caber na tua mão

Mas o dinheiro e o poder não conseguem comprar teu coração.



O abstrato, o egoísmo... era normal

Falsidade, nazismo... era normal

Depressão, ceticismo... era normal

Ilusão, romantismo... era normal

Era normal o anormal...

terça-feira, 2 de junho de 2009

ALVO AR


Não quero controlar teus passos
Nem te mudar de lugar
Gosto de te ver todo dia na minha mesa.
O céu escuro com nuvens negras que antecede a tempestade,
Hoje, acorda o dia devagar.
Tua falta adormece meus sentidos,
Tua energia fortalece meu espírito,
Teu abraço aquece meu corpo,
Meu tom emudece com teu solo.
Sempre que me encontrar voando mais alto que os aviões
Me ache estranha, mas não me deixe tão solta,
Não se afaste tanto do meu ponto de vista.
Minha mente ultrapassa limites sem controle.

Ver-te longe como, impossível, diamante,
Distorce meu olhar, insensível, delirante.
És como ópio entorpecente pro meu pensamento
Que insiste em atravessar sozinho o rio,

Como náufrago em alto mar
Perde-se em si por não saber voltar,
Mas não chega ao fim.
Meus lábios vão tremer de frio,
Toda vez que te sentir,
Meus olhos vão fechar, quando eu te beijar,
E meu desejo, deletério, vai esperar por ti.
As bocas que imploram liberdade
Calam num instante sem piedade.
A flecha que atiras contra meu coração
Fere e mata, silenciosamente, sem compaixão.
O choque que retorna a vida
Agora dispara no meu peito
E a chama que consome a vela
Ainda arde entre nós
E me guiará quando seguir teus pés
Por outra noite, enfim.