segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010


Todos os dias, quando eu acordava com aquela cara amassada, olhava pela janela e observava ele de longe. Ele ia sempre a minha esquerda, dirigindo sua vida numa rapidez extraordinária. Apesar de não ter pressa pra ultrapassar outras pessoas, no fim do dia sempre ganhava a corrida.
Um dia olhei pela janela e chovia. Os pingos de chuva que desciam pelo vidro pareciam as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Chorei um dia inteiro, em qualquer lugar, mas quando eu olhava pro meu lado esquerdo, lá estava minha força pra me sustentar. Ele nem me conhecia, mas eu o admirava por sua persistência e coragem, pela alegria e vontade de viver.
Uma dessas noites, encontrei minha flor de lótus em meio as rosas, com seu sorriso contagiante e ele quis saber quem eu era. A chuva cessou, dando espaço à bela lua. As lágrimas já não percorriam minha face, mas meu ar faltou por causa dos risos alegres que chegaram.
No dia seguinte, não havia solidão, nem medo, nem dor. Olhei pro meu lado esquerdo e não o vi. Fiz questão de me desesperar e olhei para trás, pelo vidro empoeirado, para ver se alguém havia o ultrapassado. Senti que me faltava o ar. Voltei-me para o lado direito e lá estava ele, agora ao meu lado, segurando minha mão e eu senti como se aquele momento fosse eterno no instante em que durou.
Hoje, não o vejo mais, mas lembro da sua imagem a minha esquerda tentando percorrer o mundo com sua inquietação e seus olhos atentos a minha direita esperando um pouco mais da vida. Eu ando nas ruas e muitos olham minhas olheiras, pois sou mais uma desesperada em busca de momentos inexplicáveis porque são nesses momentos únicos e exclusivamente curtos que sustento meus dias para afastar-me da solidão.


Flor de Lótus - simboliza elevação e expansão espiritual.

Costume


Não sei se tenho medo de admitir que me acostumei com meu estado solitário ou de perceber que é tudo culpa minha por ficar presa a essa situação. As semanas são todas iguais, mesmo que os dias sejam diferentes.
No domingo, faço algo extraordinário. Na segunda, fico alegre e sorridente. Na terça, penso na minha alegria e desconfio que no dia seguinte tudo vá embora. Na quarta, acerto no pensamento anterior e justamente minha alegria se foi, perco um dia inteiro chorando. Na quinta, fico pensando em como deixei escapar minha felicidade. Na sexta, penso em tudo que passou, em mim, na alegria, nos risos, nas bobagens, na tristeza, nas pessoas, nos amigos, nos beijos e nos abraços. No sábado, planejo o que farei amanhã e projeto um futuro legal que acontece no domingo e acaba na quarta.
E a pergunta de sempre é: o que eu faço pra que a felicidade vá embora tão rápido?
Eu simplesmente não consigo falar, nem entender, nem parar.
Não quero mudar de alguém quando escuto a mesma música. Quero coisas novas, gente nova, música nova, cara nova, risos novos de bobagens novas.
Parece crise de adolescente, contudo estive pensando noite passada que atingi meus 20 anos há apenas 5 meses e cheguei a conclusão que uma pessoa nunca tem atitudes equivalentes a sua idade. Um bebê não lembra o que pensa, criança pensa como bebê, adolescente age como criança, adultos tentam ser adultos, mas tem crises de adolescente e os idosos sempre serão adultos, mesmo depois de 65 anos, talvez porque não sabem ser de outro jeito. Não tentam se adaptar e quando conseguem, passam para a fase seguinte.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Hoje, neste tempo que é seu, o futuro está sendo plantado. As escolhas que você procura, os amigos que você cultiva, as leituras que você faz, os valores que você abraça, os amores que você ama, tudo será determinante para a colheita futura. Por isso, não perca de vista o que você anda escolhendo para deixar cair na sua terra. Cuidado com os semeadores que não lhe amam. Eles têm o poder de estragar o resultado de muitas coisas.
Cuidado com os semeadores que você não conhece. Há muita maldade escondida em sorrisos sedutores.
Cuidado com aqueles que deixam cair qualquer coisa sobre você, afinal, você merece muito mais que qualquer coisa.
Cuidado com os amores passageiros, eles costumam deixar marcas dolorosas que não passam.
Cuidado com os invasores do seu corpo, eles não costumam voltar para ajudar a consertar a desordem.
Cuidado com os olhares de quem não sabe lhe amar, eles costumam lhe fazer esquecer que você vale a pena.
Cuidado com as palavras mentirosas que esparramam por aí, elas costumam estragar o nosso referencial da verdade.
Cuidado com as vozes que insistem em lhe recordar os seus defeitos, elas costumam prejudicar a sua visão sobre si mesmo.
Não tenha medo de se olhar no espelho. É nessa cara safada que você tem que Deus resolveu expressar mais uma vez, o amor que Ele tem pelo mundo.
Não desanime de você, ainda que a colheita de hoje não seja muito feliz.
Não coloque um ponto final nas suas esperanças. Ainda há muito o que fazer, ainda há muito o que plantar, e o que amar nessa vida.
Ao invés de ficar parado no que você fez de errado, olhe para frente e veja o que ainda pode ser feito.
A vida ainda não terminou. E já dizia o poeta: "os sonhos não envelhecem..."
Vai em frente. Sorriso no rosto e firmeza nas decisões.
Deus resolveu reformar o mundo e escolheu o seu coração para iniciar a reforma.
Isso prova que Ele ainda acredita em você. E se Ele ainda acredita, quem sou eu pra duvidar.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Novo engano

Não sei por que eu me preocupo com o que ele pode pensar, já que ele pensa me conhecer muito bem, já adivinhou meus pensamentos e idéias. Não, não penso que o amo ainda, mesmo que nossa história tenha sido forte demais a ponto de não poder esquecê-la jamais, mas com o tempo a tatuagem perde a cor, a faca perde capacidade de cortar, o talo que sustenta a mais bela flor enfraquece, os sentimentos perdem a intensidade e até mesmo um roubo não me causaria tanto medo, já que são coisas tão comuns e fazem parte da vida. Apesar de todo julgamento que fazem a meu respeito, sei que poucos sabem sobre o que sou, o que sinto e o que fui.
Todos sabem que sou filha de mãe solteira. Hoje, um pai não me faz tanta falta, nem sei como é ter um. Fui criada com amor por pessoas que são minha vida. Há tempos atrás teria vergonha disso, pois minhas amigas na escola tinham pai e mãe, menos eu. Eu precisava de alguém que dissesse: filha, cuidado com os homens ou algo do tipo, use camisinha, ou ainda, não saia com fulano. Eu sofri por isso, mas ninguém sabe e ele nem liga, acha que é um drama qualquer. Ele tem filhos que certamente não terão essa mesma reclamação, pois ele os ama.
Todos me vêem como a menina certinha, criada dentro da lei, aquela que vai à Igreja aos domingos e acredita em Deus, porém não sabem que visito centros espíritas e que tinha até um espírito como companhia, parece engraçado, mas eles não sabem nada sobre mim.
Sabem que nasci no interior e que odeio a capital. Sabem que bebo quando saio, mas não sabem que fumo às vezes pra fugir da caretice desse mundo preconceituoso. Sabem que faço nutrição e que gosto do que faço, mas não sabem que dentro do meu cérebro há uma imensa confusão e uma dúvida sem solução imediata.
Sabem que amei alguém da forma mais pura e inocente, mas não sabem que conheci a vida, me apaixonei fulminantemente por outro, que provei o sabor da adrenalina, que vi o ódio e o amor frente a frente, que ouvi músicas diferentes, recebi flores e declarações, que fugi na madrugada, que provei vinhos baratos, que fui ao inferno e voltei, que me humilhei por um sorriso, que disse: eu te amo, que perdi amigos, adulterei a idade, que mudei de ritmo, que quase me suicidei para não ter que ver meu sonho indo embora. Todos viram o quanto sofri por algo que julgavam ser errado, contra as regras, mas ninguém viu que eu fui feliz por um segundo apenas. Ninguém notou que eu pensei em mim quando escolhi a minha felicidade e fui chamada de egoísta, mas ninguém viu quando ajudei, quando estive do lado. É tão mais fácil ver que a janela do vizinho está suja, do que limpar a vidraça da nossa janela. É mais fácil enxergar um cisco no olho do irmão, do que remover a trave que há no nosso olho.
Todos conhecem aquela menina que ri por tudo, que não sabe falar em público, que é ansiosa demais, que toma medicamento controlado, mas ninguém sabe controlar sua própria vida e falam dos outros como se fossem donos da verdade. E quem é dono dessa verdade falsa? Qual é a verdade? As pessoas procuram por ela e mesmo quando alguém fala a verdade, ainda existem dúvidas.
Há um tempo de extravasar e há um tempo de consertar todo o estrago. Acho que este último é o que estou fazendo agora. Estou consertando todo o estrago que causei a mim. Nem sei o que houve em mim. Um terremoto, um furacão, um ciclone. Foi algo que deixou minhas idéias invertidas e cicatrizes difíceis de sarar. Tenho um certo receio ainda de essa “coisa” retornar. Tenho medo de que qualquer ação, um passo sem pensar sequer, me faça cair num precipício da qual não sairei viva.
As pessoas sabem de tudo isso que contei, mas não sabem que sinto agora um imenso vazio dentro de mim que dói mais que qualquer agulha perfurando minha pele e que isso se repete toda noite. Grito contra o travesseiro e durmo chorando, temendo as acusações do dia seguinte. Antes era diferente, qualquer pesadelo que eu tivesse, poderia ligar imediatamente para ele, eu sabia que ele me acalmaria com palavras suaves sobrepostas a uma voz grave. Nas noites de frio, era fácil ir até ele, olhar aqueles olhos pouco caídos, aquele raro sorriso sincero, aquela sensibilidade quase invisível, saber como foi o dia, escutar simples verdades sobre amor e amizade. E agora? Eu nem sei mais quem sou, nem se ainda o amo. Se eu não o amo, por que fico inquieta quando ouço o nome dele? Por que fico feliz quando sei que ele está bem? Por que me magoa saber que ele insiste em me deixar em pedaços? Por que sinto falta dele como se uma parte de mim não existisse mais? Por que acordo com os olhos inchados e a noite pareço criança cujo pai não deu um doce no fim do dia? Por que soluço até meu peito doer? Por que choro até não ter mais como respirar? Por que preciso de calmantes para não sentir isso? Por que estou tentando me enganar de novo?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Observando


Exato décimo dia do segundo mês, consigo enxergar que as pessoas perdem o melhor da festa quando tentam fugir de si mesmas. A alegria se perde gradativamente sem que se perceba. Em algum momento encontram-se consigo e lutam para que a verdade permaneça invisível e não transpareça tão facilmente. É mais fácil abandonar seu trono e sua espada do que continuar lutando com esperança, pois a verdade sempre vencerá. Então, o lado contrário a ela foge, deixando suas armas, seus companheiros e sua vida, mas leva em si a covardia, os erros, um passado e seu espírito. Haverá um dia em que não terá mais para onde fugir e a verdade pura e cruel transparecerá. No começo virá uma forte tempestade, depois uma eterna calmaria onde todos verão o bem e o mal frente a frente.
Os que te ajudarem a lutar contra essa tempestade interior e ainda permanecerem contigo quando findar, perceberão também a paz e estes podem ser chamados de amigos e os que te deixarem para trás na primeira ventania são os covardes que não conhecem a força do único, puro, sublime e mais verdadeiro sentimento que configura uma interrogação sem resposta.

Delírios de uma noite em movimento


Quando abri meu olho hoje, não me dei conta de quanto tempo havia perdido. A vida passara de modo que nem tive tempo de mudá-la ou tive e não quis perceber.
Agora tento ir mais rápido, sinto o vento cortando meu rosto e desacelero por um minuto. Paro exatamente onde fui descarregada como uma coisa qualquer, onde vi a morte e a injustiça das palavras, onde soube diferenciar com esforço o que é amor e paixão, o que é viver e existir, o que é sentir saudade e estar carente. Eu tinha em mim todos os sonhos e minha história passava rápido como um trailler antes do filme principal. Não sei ainda aonde chegar, nem qual o meu filme principal. Em cada momento há comédia, suspense, romance, drama, terror vindo dos personagens principais e raiva, inveja, lágrima, risos e mais risos do que me assistem. Naquela pequena tela vi passando os anos que esperei: os 15 da inocência, os 16 da verdade, os 17 do auto-encontro, os 18 da liberdade, os 19 da paz e agora vivo os 20 do desespero. Todos os anos são diferentes e tem um tema específico que se configura ao longo dos dias e percebi isso apenas no dia 31 de dezembro quando há aquela reviravolta mental, aquela retrospectiva básica atingiu meu cérebro. Poucos sabem olhar para trás com sabedoria, sem lamentos nem arrependimentos. Senti como se tivesse duas pessoas dentro de mim: uma que queria algo fácil e trazia uma felicidade efêmera e outra que preferia o mais difícil, podendo desfrutar do bem aos poucos. Isso me atormenta dias e noites, perturba minha cabeça a ponto de me deixar frustrada por não saber decidir o que quero de verdade.
Sei que não sou a única a sentir isso, todos podem sentir o mesmo, mas por parecer difícil desistem no primeiro obstáculo, sem tentar saber qual o melhor caminho. E tudo é simples, tão simples mesmo. Basta apenas encontrar o caminho pra si mesmo. Quando encontram, eis que estão diante da felicidade, pois cada ser sabe a dor e a alegria que traz dentro de si, o que o torna inteira e unicamente responsável por sua felicidade.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sei que não tenho a força que tens
Se me vejo feliz quase sempre exijo um talvez
Ela mora perto de um vulcão
E meu coração suburbano espera riquezas maiores
Eu sigo o calendário maia
E sou descendente dos astecas

Hoje vai ter prova
Mas no final da aula
Acho que tem futebol
Gosto quando estou feliz
Gosto quando sorris para mim
Estou longe longe
Estou em outra estação
Não me digam como deve ser
Gosto do jeito que sou

Quem insiste em julgar os outros
Sempre tem alguma coisa para esconder

Teu corpo alimenta meu espírito
Teu espírito alegra minha mente
Tua mente descansa meu corpo
Teu corpo aceita o meu como a um irmão
Todos fazem promessas demais
Temos muito o que aprender
É um feitiço tão latino
Essa preguiça ser feitiço
Mas tudo bem
Voltarás na terça-feira
És fogo e gelo ao mesmo tempo
E vai ser bom
Do Equador, da Venezuela, do Uruguai
Teremos o fim-de-semana só para nós
Venha comigo
Não tenha medo
Tem muita gente
Que pensa o mesmo
E estou longe longe
Estou em outra estação


A frase que mais cabe no dia de hoje: Não me diga como devo ser, gosto do jeito que sou. Quem insiste em julgar os outros sempre tem alguma coisa pra esconder.

Acho que as pessoas deveriam ficar vesgas pelo menos um dia olhando pro seu próprio nariz e vê que é fácil apontar os defeitos dos outros, mas enxergar seus erros é difícil demais. Então, antes de mostrar as sujeiras na vida do vizinho, temos que ver se não é a vidraça da nossa janela que está suja.

Um ancião índio norte-americano, certa vez, descreveu seus conflitos internos da seguinte maneira:
- Dentro de mim há dois cachorros. Um deles é cruel e mau. O outro é muito bom. Eles estão sempre brigando.

Quando lhe perguntaram qual cachorro ganhava a briga, o ancião parou, refletiu e respondeu:
- Aquele que eu alimento mais frequentemente.




(Paulo Coelho)


Dentro de cada pessoa existe esses 2 cachorros e cabe a cada um de nós decidir qual dos dois deverá ser melhor alimentado para crescer mais rápido e ocupar nossa personalidade. Com certeza, quem pratica a justiça com verdade e sinceridade estará alimentando o cachorro bom, mas que é contrário a isso, estará contribuindo para o mal.