quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Delírios de uma noite em movimento


Quando abri meu olho hoje, não me dei conta de quanto tempo havia perdido. A vida passara de modo que nem tive tempo de mudá-la ou tive e não quis perceber.
Agora tento ir mais rápido, sinto o vento cortando meu rosto e desacelero por um minuto. Paro exatamente onde fui descarregada como uma coisa qualquer, onde vi a morte e a injustiça das palavras, onde soube diferenciar com esforço o que é amor e paixão, o que é viver e existir, o que é sentir saudade e estar carente. Eu tinha em mim todos os sonhos e minha história passava rápido como um trailler antes do filme principal. Não sei ainda aonde chegar, nem qual o meu filme principal. Em cada momento há comédia, suspense, romance, drama, terror vindo dos personagens principais e raiva, inveja, lágrima, risos e mais risos do que me assistem. Naquela pequena tela vi passando os anos que esperei: os 15 da inocência, os 16 da verdade, os 17 do auto-encontro, os 18 da liberdade, os 19 da paz e agora vivo os 20 do desespero. Todos os anos são diferentes e tem um tema específico que se configura ao longo dos dias e percebi isso apenas no dia 31 de dezembro quando há aquela reviravolta mental, aquela retrospectiva básica atingiu meu cérebro. Poucos sabem olhar para trás com sabedoria, sem lamentos nem arrependimentos. Senti como se tivesse duas pessoas dentro de mim: uma que queria algo fácil e trazia uma felicidade efêmera e outra que preferia o mais difícil, podendo desfrutar do bem aos poucos. Isso me atormenta dias e noites, perturba minha cabeça a ponto de me deixar frustrada por não saber decidir o que quero de verdade.
Sei que não sou a única a sentir isso, todos podem sentir o mesmo, mas por parecer difícil desistem no primeiro obstáculo, sem tentar saber qual o melhor caminho. E tudo é simples, tão simples mesmo. Basta apenas encontrar o caminho pra si mesmo. Quando encontram, eis que estão diante da felicidade, pois cada ser sabe a dor e a alegria que traz dentro de si, o que o torna inteira e unicamente responsável por sua felicidade.

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